terça-feira, 20 de setembro de 2011

Opinião: Revidar às vezes é preciso



Na semana passada, um grande amigo, pessoa que admiro, de bem com a vida e antes de tudo alguém que respeita a todos, foi agredido verbalmente e, assim como fazem os preconceituosos, a cor de sua pele (que é negra) foi lembrada pelo agressor. É uma pena que muitos brasileiros sejam assim, que em um momento de fúria tragam a tona todo o preconceito que carregam dentro de si. As pessoas politicamente corretas, os líderes sociais, diplomatas e religiosos defenderiam qualquer outro tipo de revide que não fosse o da violência. Infelizmente, neste caso, não foi o que aconteceu. Meu amigo perdeu a cabeça e revidou. Eu também acho que violência só gera mais violência, mas também digo que o compreendo. Quando a gente passa por situações de preconceito, quando somos agredidos verbalmente, socialmente, por muitas e muitas vezes, chega uma hora em que ou a gente explode ou ficamos sujeitos a uma frustração que leva a depressão, falta de amor próprio, baixa autoestima. Quem quer isso pra si?
O movimento gay começou assim, depois de apanhar e ser reprimido muitas vezes pela polícia de Nova York, partiram para cima, confrontaram seus algozes e hoje vemos que a união entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade em todo o mundo. Lembro de uma vez,um rapaz resolveu me atazanar em um bar. Passou a noite inteira me chamando de bicha. Eu sempre deixando pra lá, não querendo confusão. Até que ele foi mexer com minha irmã e abraçando-a, mais uma vez me chamou deste maldito adjetivo. Até hoje ele deve se lembrar de ter apanhado e feio de uma bicha. Muitos homens homofóbicos pensam que homossexuais são maricas. Posso assegurar que a única coisa que nos difere dos heterossexuais é a orientação sexual. De resto, não sou nem um pouco diferente de um heterossexual e, pior, posso ser um lorde, mas também posso ser um lutador de MMA.
Voltando à história do meu amigo, a parte mais estúpida do preconceito racial é que nós, brasileiros, por maior descendência européia que possamos ter, somos todos frutos de uma miscigenação que vai do índio ao negro, passando pelo branco até o amarelo. Nenhum brasileiro pode se declarar 100% isso ou aquilo. Não quero incitar a violência, mas dou parabéns ao meu amigo. Se as pessoas não sabem respeitar outras só porque são de outra cor, credo ou orientação sexual, quem sabe um susto não as faça pensar duas vezes antes de abrir a boca ou tomar uma atitude preconceituosa. Este mês, a mulher que criou minh a mãe e qual chamo de avó, completou 96 anos. Ela é negra e muito amada pela família que a acolheu. Tenho muito orgulho e você, Vó Bi! Minha negra mais linda do mundo!

Texto de Eduardo Gregori publicado na coluna Vista da Janela, no Diário do Povo

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