Estreia nos próximos dias, finalmente, o elogiado e premiado "Elvis & Madona", drama que marca a estreia do carioca Marcelo Laffitte na direção de longa-metragem e cujo lançamento vem sendo adiado desde o começo do ano. Agora é realidade: o espectador poderá tomar contato com esta bonita história de afeto e amor em Copacabana entre Elvis, uma lésbica entregadora de pizza (Simone Spoladore), e Madona, um travesti que faz shows (Igor Cotrim). A seguir ele fala sobre o sucesso do filme e de sua personagem travesti.
Qual foi o maior desafio na construção de Madona?
Foi eliminar qualquer traço caricatural, mergulhando na personagem e deixando crível uma história de amor tão diferente.
Você fez alguma pesquisa de campo para compor o personagem?
Conversei com vários travestis, fui com Simone até casas de show de travestis na Lapa, mas o meu maior foco de estudo, visto que a Madona se comporta como uma diva, foi observar e estudar muito as mulheres, gestual, rituais, ritmo interno. Além disso, Bayard Tonelli, do grupo Dzi Croquettes, foi meu preparador/torturador corporal...
Como se desenvolveu a química no set com Simone Spoladore?
Simone é muito compenetrada no trabalho e de uma grande generosidade para com o parceiro de cena, construímos a relação das duas pouco a pouco, com muito cuidado para fazer surgir uma história em que as pessoas enxergassem a alma das personagens, não sendo o mais importante a orientação sexual delas. Foi um prazer ter trabalhado com Simone.
O que você pessoalmente acha da relação afetiva entre um travesti e uma lésbica?
Acho inusual, mas pode dar um borogodó. O que eu enxergo realmente é o amor entre dois seres humanos, troca, companheirismo e respeito. Isso é o que realmente conta.
Como você acha que o brasileiro comum reage diante destes casais "diferenciados"?
A percepção do brasileiro está mudando, um paraibano vendo o filme disse do alto de sua macheza: "Depois de dez minutos, eu nem tô ligando se é um travesti ou uma lésbica. É uma história de amor, e bunita (sic)". Mas é claro que também existem as “bolsonarices” calhordas que insistem em atrasar as relações humanas. Elvis & Madona é um tapa de luva de película no preconceito.
Qual é a importância de um filme como Elvis & Madona?
É um filme que já provou seu alcance internacional pelos festivais e prêmios que conquistou. É uma celebração do amor, o amor sem interesse ou preconceito, amor de alma. E levando-se em conta o fato de a união civil homossexual ter sido aprovada este ano, isto reforça a parte quântica envolvida no sucesso do filme. Só falta podermos ter a oportunidade de representar o Brasil numa possível indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro!
Como você vê a representação do homossexual nos longas-metragens brasileiros?
Não só no brasileiro, mas em muitos outros países, os gays e principalmente os personagens travestis são usados como alívio cômico, assassinos ou assassinados, pessoas fora da sociedade, num ambiente violento. Mas as coisas estão mudando, novas luzes estão sendo jogadas pelos cineastas, e tenho muito orgulho de Marcelo Laffitte me dar o presente de ser o primeiro travesti protagonista do cinema brasileiro (Madame Satã não tinha peitinhos kkkkk).
Qual foi o maior desafio na construção de Madona?
Foi eliminar qualquer traço caricatural, mergulhando na personagem e deixando crível uma história de amor tão diferente.
Você fez alguma pesquisa de campo para compor o personagem?
Conversei com vários travestis, fui com Simone até casas de show de travestis na Lapa, mas o meu maior foco de estudo, visto que a Madona se comporta como uma diva, foi observar e estudar muito as mulheres, gestual, rituais, ritmo interno. Além disso, Bayard Tonelli, do grupo Dzi Croquettes, foi meu preparador/torturador corporal...
Como se desenvolveu a química no set com Simone Spoladore?
Simone é muito compenetrada no trabalho e de uma grande generosidade para com o parceiro de cena, construímos a relação das duas pouco a pouco, com muito cuidado para fazer surgir uma história em que as pessoas enxergassem a alma das personagens, não sendo o mais importante a orientação sexual delas. Foi um prazer ter trabalhado com Simone.
O que você pessoalmente acha da relação afetiva entre um travesti e uma lésbica?
Acho inusual, mas pode dar um borogodó. O que eu enxergo realmente é o amor entre dois seres humanos, troca, companheirismo e respeito. Isso é o que realmente conta.
Como você acha que o brasileiro comum reage diante destes casais "diferenciados"?
A percepção do brasileiro está mudando, um paraibano vendo o filme disse do alto de sua macheza: "Depois de dez minutos, eu nem tô ligando se é um travesti ou uma lésbica. É uma história de amor, e bunita (sic)". Mas é claro que também existem as “bolsonarices” calhordas que insistem em atrasar as relações humanas. Elvis & Madona é um tapa de luva de película no preconceito.
Qual é a importância de um filme como Elvis & Madona?
É um filme que já provou seu alcance internacional pelos festivais e prêmios que conquistou. É uma celebração do amor, o amor sem interesse ou preconceito, amor de alma. E levando-se em conta o fato de a união civil homossexual ter sido aprovada este ano, isto reforça a parte quântica envolvida no sucesso do filme. Só falta podermos ter a oportunidade de representar o Brasil numa possível indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro!
Como você vê a representação do homossexual nos longas-metragens brasileiros?
Não só no brasileiro, mas em muitos outros países, os gays e principalmente os personagens travestis são usados como alívio cômico, assassinos ou assassinados, pessoas fora da sociedade, num ambiente violento. Mas as coisas estão mudando, novas luzes estão sendo jogadas pelos cineastas, e tenho muito orgulho de Marcelo Laffitte me dar o presente de ser o primeiro travesti protagonista do cinema brasileiro (Madame Satã não tinha peitinhos kkkkk).
Nenhum comentário:
Postar um comentário